Caso Varig, um cadáver que não quer ser enterrado
11.06.08 - BRASIL
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Adital -
Recentemente o caso VARIG retornou ao noticiário nacional e internacional motivado por denuncias que a ex-diretora Denise Abreu da ANAC, fez ao Jornal Estado de São Paulo, na qual de forma categórica, afirma que houve favorecimento, por parte de Ministra Dilma Rousseff na venda da VARIG (1).
Fato tão relevante quanto às denuncias da ex-diretora Denise Abreu, foram as providenciais decisões emanadas pelo juiz da 17ª Vara Cível de São Paulo, José Paulo Magano, que se referiu aos compradores da VarigLog como ‘quadrilha’, determinando ao Ministério Público como a Polícia Federal que investiguem as irregularidades da aquisição da empresa (2).
A VARIG foi uma referência internacional. Suas aeronaves tinham manutenção refinada, em oficinas próprias, como seus tripulantes eram formados, como invariavelmente treinados na própria empresa, portanto, a fiscalização do antigo DAC, era tão somente, burocrática, devido a excelência dos serviços operacionais prestados. A VARIG, creio ser a única marca 100% brasileira conhecida mundialmente.
Com o encerramento das atividades da VARIG, não por acaso, iniciou-se o caos aéreo no Brasil!
A VARIG foi vendida por 24 milhões de Dólares para o fundo americano Matlin Patterson e aos brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel que poucos meses após, revendeu por 320 milhões de Dólares para a GOL Linhas Aéreas, por conseguinte, com lucro, inexplicavelmente, fabuloso?!
Fato concreto consiste que todos os 11 mil funcionários foram demitidos, como outros milhares de postos indiretos de trabalho foram encerrados, depauperados, diante da determinação do executivo federal, agora, formalmente, revelados pela Senhora Denise Abreu, em concretizar a transferência dos ativos da VARIG.
O maior patrimônio da empresa era o corpo de funcionários. O desmantelamento do ativo humano foi o maior desacerto, em planejamento estratégico cometido pelos novos controladores.
Todos os trabalhadores que laboravam no Brasil estão sem receber suas verbas rescisórias. Parece-me imutável na aviação comercial brasileira, a pratica das empresas aéreas, encerrarem suas atividades praticando o mesmo tipo de calote, isto é, sem quitar as verbas rescisórias, visto o que se sucedeu com Transbrasil e a VASP. Os trabalhadores da VARIG foram vitimas do maior calote trabalhista da história do Brasil.
Todavia, não ocorreu o mesmo em outros países, como na Argentina. Lá as dívidas foram quitadas! Não houve complacência do Estado argentino, tão pouco dos sindicatos portenhos, chegando o governo a suspender os vôos da "nova" VARIG para Buenos Aires, até que fossem quitadas as dividas com os trabalhadores, o que de fato se concretizou.
Da mesma forma, o fundo de previdência privada, AERUS, dos funcionários VARIG, entrou em desgraça sob intervenção da Secretaria de Previdência Complementar. Hoje, os aposentados recebem uma ínfima parcela dos valores consagrados no passado. Os demais trabalhadores, que contribuíram ao AERUS por até 22 anos, estão sem possibilidades de reaver suas reservas financeiras, muito menos com perspectivas de gozarem a 3ª idade.
A VARIG recusa a morrer sem saber quem foram os responsáveis por tantas irregularidades.
A Comissão de Infra-Estrutura do Sendo Federal intimou vários atores para depor em 11 de junho de 2008 (3).
Esperamos que os parlamentares sejam incisivos na oitiva, que poderá em fim, dizer aos brasileiros, o que todos os funcionários sentiram na alma, que a VARIG foi vitima da sagacidade do poder público e privado.
Notas:
(1) http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080604/not_imp183512,0.php
(2) http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u395785.shtml
(3) http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=75690
