Reinaldo Azevedo
Revista Veja
Sempre que Tarso Genro toma posse num cargo, a notícia mais aguardada é a da sua saída. Desde 16 de março de 2007, espera-se ansiosamente que ele deixe o Ministério da Justiça. No próximo dia 10, isso finalmente vai acontecer. A má notícia para os gaúchos é que ele sai para disputar o governo do Rio Grande do Sul. O valente vai se dedicar àquilo a que tem se dedicado desde sempre: fazer campanha eleitoral. A boa notícia é que os eleitores podem impedi-lo de alcançar os seus objetivos.
Para quem, como este escriba, foi crítico da gestão Márcio Thomaz Bastos — desde a já longínqua Primeira Leitura — porque entendeu que o então ministro decidiu ter uma Polícia Federal de propaganda —, o desempenho de Tarso Genro tocou as franjas do absurdo. Sob o seu comando, setores politizados da PF travaram uma verdadeira guerra de facções no departamento.
O governo Lula jamais tirou do papel o Plano Nacional de Segurança. O Brasil continua a ser um dos campeões mundiais em homicídios para um país que não está em guerra — 50 mil pessoas por ano. O combate ao tráfico de drogas e de armas nas fronteiras é bisonho e está na raiz de muitos outros crimes. A última notícia que tivemos da Força Nacional de Segurança, subordinada ao ministro, dá conta de que ela estava tentando impedir jornalistas de fazer o seu trabalho no Pará.
O feito mais notável de Tarso Genro foi tentar impedir a extradição de Cesare Battisti, chamando de “políticos” os seus crimes. Comportou-se como corte revisora da Justiça Italiana e de outros tribunais europeus, salvaguardando a honra de quem delinqüiu e atacando as instituições democráticas de um país amigo — incluindo a sua Justiça. Tarso, em suma, é uma vergonha.
Sob a sua gestão, o MST mudou o seu “padrão de luta”, passou a invadir terras produtivas e a depredar de modo sistemáticos as instalações das áreas invadidas. Mas isso era pouco. Em fevereiro do ano passado, os sem-terra mataram a tiros quatro seguranças de uma fazenda. Até Lula foi obrigado a vir a público para censurar o ato. E Tarso? O Tarso que tentou manter no Brasil um assassino italiano também tem uma visão bastante particular de seus congêneres nativos. Indagado sobre as mortes, o que ele disse? Isto:
“A reforma agrária vem sendo feita de maneira ordenada, dentro da Constituição, e eu não vejo nenhum índice de aumento de violência. O que ocorre é a mobilização de movimentos sociais, em determinadas circunstâncias de uma maneira mais arrojada. Quando eles violam a lei e a Constituição, os estados têm que operar.”
Segundo Tarso, o assassinato de quatro pessoas não passa de uma forma mais “arrojada” de luta. Para o seu lugar, ele sugeriu o nome de Luiz Paulo Barreto, secretário executivo da pasta, ou de José Eduardo Cardoso, deputado federal (PT-SP), um seu aliado, da mesma corrente, embora se esforce para ter uma aparência moderna.
Seja lá quem for o substituto, a saída de Tarso sempre soma. Agora é com vocês, gaúchos!
