Silva Filho Grilo
DEFINIÇÃO:
Fatores humanos diz respeito sobre as pessoas em seu ambiente de trabalho, e sobre o seu relacionamento com as maquinas, equipamentos e procedimentos. Mais importante ainda é sobre o seu relacionamento com as outras pessoas. Busca otimizar o desempenho das pessoas, através da aplicação sistemática das ciências humanas, geralmente, integradas, dentro da estrutura do sistema de engenharia. Seus objetivos simultâneos são a segurança e a eficiência”.
http://www.anac.gov.br/arquivos/pdf/manualTreinamentoFacilitadorCRM3.pdf
A aplicabilidade deste programa quer para fabricantes de aeronaves, quer para as empresas aéreas, visa, fundamentalmente, aprimorar ao máximo o desempenho profissional.
Há uma tentativa em vão, de dar uma conotação humanista a estes programas de alto desempenho. Basta um olhar atento para logo observar que o único compromisso é com a qualidade total.
A otimização é a senha para tudo neste universo de alta performance!
O aprimoramento das melhores condições de segurança é uma necessidade imperiosa no mundo da aviação, todavia, o cerne dos programas de Fatores Humanos é a obrigação de adaptar todos os movimentos humanos com os recursos tecnológicos disponíveis, objetivando sempre um melhor aproveitamento da aeronave, em detrimento da segurança laboral.
As conseqüências deste constante aprimoramento humano serão inequivocamente, manifestadas, na saúde nos pilotos e comissários.
Coube ao Dr.Luiz Lopes* a melhor definição:
“E os carbosos tripulantes e as esbeltas hospedeiras num ápice vêem-se precocemente minados e envelhecidos e da beleza que irradiavam nos anúncios apenas resta a beleza interior de quem um dia ousou triunfar onde Ícaro falhou.”
“Em suma, julgo poder-se afirmar que hoje um avião é como um laboratório móvel onde se cruzam praticamente todos os riscos profissionais com terrível particularidade de no seu interior não se encontrarem cobaias mas sim seres humanos”
Síndrome do Avião Apertado.
http://www.anestesiologia.com.br/anestesinfo.php?itm=117
Neste contexto e em respeito aos milhões de usuários na aviação, devo acordar que a classe econômica nunca foi tão desconfortável. Tornou-se um caso de saúde pública!
O humano nesta questão foi desconsiderado.
Ao confinar, amontoar centenas de passageiros na cabine econômica tenho a nítida sensação do significado da palavra econômica.
Lamento a passividade, com que os usuários contentam-se com tão baixa qualidade de serviços ergonômicos. Um lamentável fenômeno mundial.
Com programas de monitoramento profissional, cada vez mais aprimorados, quanto tempo deve laborar os aeronautas para alcançar uma digna aposentadoria?
* Luís Lopes; Presidente do Conselho de Administração da Agência Européia para a Segurança e Saúde do Trabalho.
* pilotos, mecânicos de vôo e comissários de vôo.
