domingo, 31 de janeiro de 2010

ALTA PRODUTIVIDADE SINÔNIMO DE DOENÇA

Silva Filho Grilo

“Produtividade não é somente obter o máximo de eficiência "fazendo certo as coisas", mas atingir o máximo de eficácia "fazendo as coisas certas", mensurando a efetividade da empresa”. (www.sanepar.com.br)

Convivemos com uma absurda, na busca da eficiência, como do lucro a qualquer custo por parte de quase todos os seguimentos da economia. Laborar sob estas condições organizacionais compromete a saúde física e mental dos trabalhadores.

As empresas na busca incessante da otimização acabam fragilizando as defesas individuais e coletivas do trabalhador. A síndrome de burnout nada mais é do que um esgotamento institucional na busca da produtividade a qualquer custo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Burnout

Diante destes modismos gerenciais, ocorrerá o inevitável aumento do passivo patológico ocupacional, cabendo, tão somente, a sociedade, arcar com o custo financeiro e social, (auxílio-doença) devido ao “espírito empreendedor” do patrão.

Quando os passageiros vêem os comissários de voo, sempre jovens, saudáveis e bem vestidos, têm a idéia de que estão higidíssimos, talvez uma tentativa de refletir na aparência um ambiente salubre o que sabemos não existir.

Em quanto isso, os aeronautas recebem mês a mês a compensação orgânica que:
“afigura-se como verba criada através de negociação coletiva para indenizar o trabalhador aeronauta que desempenha suas atividades sob condições penosas”

Porém na hora de solicitar o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP, para fim de solicitar à aposentadoria especial, a descrição ambiental, reconhecida pela empresa é idêntica a do Palácio de Buckingham.

Muitos aeronautas ainda crêem, quando debilitados, fisicamente, conseqüentemente, incapazes para o trabalho, que tratasse de uma deficiência particular, uma inadaptação-pessoal e não em decorrência da tentativa infrutífera do empregador, em transformar o homem em maquina. Daí talvez tenha surgido à expressão “morar na mala”. Sempre a disposição do empregador, celular a mão, como se cada jornada de trabalho fosse uma missão.

Cabe ao poder público fazer valer sua atribuição constitucional, pois, de nada adianta normatizar, se a cultura é desmoralizar e ou não cumpri-la quando não atende aos interesses empresarias.

A penosidade avança sobre o aeronauta. Cabe ao trabalhador uma reflexão! Uma nova postura, abdicando de teses particularíssimas, passando a investigar as cabines pressurizadas, porconseguinte, o próprio ambiente laboral.